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Argentina

03/02/2016 15:00

ARGENTINA

02 de Fevereiro
 
Saí para pegar o ônibus. Pedalei até a rodoviária Três Cruces. Fazia tudo parte do pacote da empresa Colônia Express, empresa mais economica que levava de Montevideo até Buenos Aires.  A primeira parte era um ônibus até Colônia e depois um barco até Buenos Aires. Ocorreu tudo bem e a viagem tanto de ôbibus tanto de barco foi tranquila
 
Chegando em Buenos Aires eu só tinha pesos uruguaios e ainda não sabia onde ficar.  Na saída, ainda com o wifi da Colônia Express, consegui contactar com minha amiga Guadalupe do Couchsurfing.  Tinha que pegar um trêm para sua casa, pois a autoestrada não permitia bicicleta. Só que eu não tinha dinheiro e fui atrás de um lugar para trocar os poucos pesos que ainda tinha.  No caminho um rapaz de bike com sua filha na garupa chegou perto de mim e ficou encantado com minha viagem. Me indicou onde eu podia trocar o dinheiro. 
 
Estava eu , no centro de buenos aires , já na rua para trocar os pesos, levando a bike  andando. Consegui trocar e peguei o trem. 
 
Pessoas muito estranhas no primeiro vagão de trem. Uns fumavam maconha, outros pediam esmola e outros jogavam cartas. Nos outros vagões não era assim. Todos sentadinhos nas suas cadeiras. Esse vagão que eu estava era para entrar as bicicletas e não tinha cadeiras.
 
O trêm parou na estação Villa del Parque , a quarta estação. No caminho conversei com um Peruano que também tinha entrado de bike no vagão.
Na saída fui pedalando até a casa de Guadalupe. Cheguei em sua casa e já fui logo participando de um churrasco que estava tendo com seus amigos e amigas. 
Foi bom, mais cedo estava perdido em Buenos Aires, e naquele momento já comendo e sabendo onde ficar.
 
03 de Janeiro
 
Fomos tentar tirar dinheiro e consegui finalmente. O banco foi de la ciudad, conectado a rede link. Comprei butijão de gas para o restante da viagem e passamos no mercado. 
Saí a tarde para pegar o trêm para Palermo onde vivia um outro amigo do couch surfing , chamado Gonzalo.  Só que teria que passar o tempo até umas nove horas da noite. Horario que ele chegaria.  Segui com a bike pelas duas ciclovias que havia.  Percebi que havia muita gente que a usava. Me disseram que só tinha um ano. 
Passei também na loja de bike dobráveis Muvin. Havia muitos modelos da marca Tern que não vendiam no Brasil, incluso uma de 27 marchas que era toda preparada para cicloturismo.  
As nove da noite cheguei na casa de Gonzalo.  Fui muito bem recebido. Ele já tinha recebido algumas pessoas em seu apartamento de algumas nacionalidades. Depois jogamos no seu playstation umas partidas de FIFA soccer 2016, que por sinal era o único jogo que eu gostava. Eu jogando com o Barcelona e ele com o River Plate ( seu time). Não havia o Flamengo e fiquei indiguinado com isso. Fora do Brasil o Flamengo não existe.
 
 
04 de Janeiro
 
Saí ao meio dia e levei a bicicleta a uma loja para eles verem o problema do furo do pneu. Me disseram que não poderiam fazer muita coisa. Pois o problema era causado por excesso de peso dos alforges traseiros. Se continuar assim terei que me livar de algumas coisas mais no caminho. 
 
Esse dia fiquei em um Hostel. Deixei minhas coisas lá e fui ao shopping comprar chinelo e um chip da claro argentino para lugares em que não teria internet, principalmente na Patagônia. Também passei no mercado. Na argentina os preços são um poucos mais baratos do que no uruguai. 
Espero que continue assim. Cada pais mais barato do que o outro.  
 
05 de Janeiro
 
Fui carregar o novo chip da claro Argentina que havia comprado. Assim teria internet onde não possuia wifi. Pagava-se apenas 5 pesos por dia de acesso a internet.
Tomei o café da manhã do hostel e segui para casa de Cookie e Eduardo, o casal do couchsurfing que iria me receber. 
 
O local era perto e fui pedalando. Apesar do trânsito fui em um bom ritmo e cheguei rápido.  Fui recebido por Cookie e fiquei super avontade em sua casa. Era localizada no centro de Buenos Aires. Mais tarde Eduardo chegou, um uruguaio que a muito tempo morava na Argentina.  Casal super tranquilo e legal. Me emprestaram até o cartão do transporte público e uma chave do apartamento. Mais um anjo no caminho. Só tenho a agradecer essas pessoas maravilhosas que aparecem. 
Comi ravioli no almoço, que havia preparado na vespera e tinha sobrado um pouco. 
 
Fui até a estação de trem para comprar passagem para Bahia Blanca e de lá iniciaria a viagem pela Patagônia. Deixaria a parte não muito boa para pedalar até Bahia Blanca e ganharia 600 km. 
Só havia passagem para quarta feira e eu teria que ficar mais 5 dias em Buenos Aires . O acessorista me disse que eu teria que despachar a bicicleta segunda feira. Não achei boa idéia, disse que a bicicleta era dobrável e ele liberou para ir junto comigo, bastando colocar em uma bolsa. 
Nossa, justamente a bolsa que eu havia me livrado , por causa do peso, no primeiro dia de viagem. Teria que procurar uma. 
Na estava comendo muita fruta e sentia falta. Passei na quitanda e comprei banana, pêra, maça e melão. 
 
06 de Janeiro
 
Resolvi ir ao Centro Cultural Ricoleta e a pé. Gosto de explorar a cidade caminhando. É uma boa maneira de conhecer cada cantinho e sentir-se integrado a cidade. 
Vi uma expesição de fotografia e arte. Do lado de fora havia uma bonita praça. Em volta diversas barraquinhas com artes para comprar, lembrando a feira de Ipanema no Rio de Janeiro. 
Depois sentei em um gramado e escutei uns músicos argentinos que estavam se apresentando, uma mistura de jazz e uns instrumentos esquisitos mais de um som muito bom.  Comi cachorro quente que se chamava poncho . Depois voltei caminhando. Passei por uma parte da cidade com muito camelô que vendia tudo, principalmente roupas. Havia muito peruano e equatoriano que vendiam. 
 
07 de Janeiro
 
Saí cedo para conhecer La Boca e o Jardim Botânico de Buenos Aires.  Levei minha máquina fotográfica . La boca, na parte turística era muito colorido. Conta a história que os italianos quando chegaram aqui, no séc XIX pintavam suas casas com as tintas que sobravam dos portos, que no caso eram as de cores.  Tirei muitas fotos. 
 
A noite saí com uma amiga argentina que havia morado no Brasil por 6 meses e falava muito bem o portugues. Belém ficou admirada como eu consegui viajar de bicicleta dobrável. Conheci lugares tradicionais como Santelmo e Porto Madero. Foi a primeira vez que saí a noite em Buenos Aires. A cidade me parecia um pouco vazia, parece que no carnaval os argentinos viajam. Além de ser um mês de férias para os portenhos.  Depois sentamos em um bar chamado La Máfia e tomamos uma cerveja, queria conhecer o gosto da cerveja argentina. 
 
08 de Janeiro
 
Dia de ir ao cinema e ver filmes cult. Cinema argentino a preço de R$1 no Espácio Gaumont. Assisti El Nido Urbano sobre o problema habitacional que tem Buenos Aires. O outro foi Camino a La Paz sobre um senhor muçulmano que vai de taxi de Buenos Aires até a Bolívia encontrar com o irmão. Muito legal. E saí de lá satisfeito. 
 
09 de Janeiro
 
Tirei algumas fotos no Porto Madeiro, depois fui amoçar no Mac Donalds. Tentei achar uma camisa do flamengo e não consegui. Acabei achando uma no camelô, me parecia de uma linha até boa mais não comprei.  Na adidas e lojas de esporte não havia. Vi também outra película sobre o Tango chamada Un tango a Más também no espaço Gaumont. Esse foi o que gostei mais.  
 
Buenos Aires tem esse encanto, é a cidade do Tango, para mim a mais bonita dança e expressão artistica que existe quando bem dançada. Me deu até vontade de aprender. 
 
10 de Janeiro
 
Era dia de partir da casa de meus amigos Coockie e Eduardo. Já havia ficado lá uns 5 dias. Os dois pessoas maravilhosas e tranquilas. Mais não costumo ficar assim tanto tempo. É que o trêm só tinha vaga quarta feira. 
 
Consegui comprar uma bolsa leve e de tamanho ideal para colocar a bicicleta. Era exigência para ser embarcada no trêm para Bahia Blanca, a 600km e 12 horas de trem. 
 
Também conprei uma camisa do Flamengo e consegui que personalizasem com nome e numero, no meu caso Guerrero, 9. 
 
Depois voltei para casa almocei , despedi de meus amigos e parti com calma para o terminal de trêm. Foram muito legais os 8 dias que fiquei em Buenos Aires.  Deu para descançar e fazer programas culturais. 
 
Chegando na estação de trem percebi que a energia não era muito boa. E tratei logo de desmontar a bike e guardá-la. Passei para o terminal de embarque e esperei lá até o horario de partir. 
 
Antes de entrar no terminal de Embarque um cicloturista da Eslováquia veio até mim dizendo que tinha sido assaltado ali. Também me deu dicas de rotas seguir. Foi muito legal. Parece que a rota que eu ia fazer não era muito recomendável até Ushuaia.  Além de muito vento, muito sol, trânsito e pouco lugar bonito para tirar foto.
 
A bike entrou com dificuldade no trêm. E ficou no corredor com dificuldade para os passageiros passarem. Dei sorte que achei um local sem ninguem ao lado de onde eu estava sentado. 
 
Deu certinho a bike e eu. E não chegou o passageiro do assento. Ufa!! Viajei assim por 12 horas.  Foi uma viagem bonita. No Brasil já não existe mais viagens de trem e gosto muito. Parece que está voltando no tempo e o trêm permite obervar mais as paisagens, pois é mais lento que o carro e ônibus. 
 
11 de Fevereiro
 
O trêm chegou as 9 da manha  . Arrumei a bike e fui para a casa de Augustin. Outro argentino do Couchsurfing. Queria ficar um dia na cidade e converar melhor que rota seguir.  Lá chegando fui super bem recebido. E já havia um casal de Francêses que viajavam de carona. Depois fomos ao mercado e Augustin fez uma massa para nôs três.  Ana a Francesa me disse que ela não gostava de morar em Paris. Não gostava de muita gente e confusão. Preferia as cidades pequenas .
 
12 de Fevereiro
 
Não sai muito cedo para a Rota 3 que iria para a Patagônia. O plano era fazer  69 km até a cidade de Teniente Origone. No caminho encontrei os Franceses que estavam na mesma casa onde eu estava com um cartaz escrito "Rueta 3" pedindo carona. 
Depois passaram por mim no caminhão e deram adeuszinho. Segui pedalando, agora sem acostamento e os carros e caminhões tinham que desviar de mim. Desagradando-me pois não gostava de pedalar assim. Porém os veículos estavam acostumados com os ciclistas que faziam a patagônia sempre por ali. 
O calor também estava muito forte e o termômetro marcou 47 graus a um certo momento.  Um calor diferente do humido Brasil, que o máximo que pedalei foram 42 graus.  Parei em um placa ao lado da estrada para esperar a temperatura diminuir. Era a única sompra disponível. 
Iniciei as 4 horas da tarde  e a temperatura ainda marcava 41 graus. 
O asfalto ainda estava muito quente e meu pneu alemão Schwalbe Big Apple que era para durar 3x mais não resistiu nem a um mês e meio do carlor e estrada Brasileira e sulamericana. E em seguida explodiu abrindo um rasgo ao seu lado. Encostava os arames na camera e na verdade explodiu a câmara. 
Tentei costurar o pneu com a linha que possuia, mais era fraca, ideal para costurar roupa e não a linha de nylon que era preciso nesse caso. 
 
Tive que pedir carona para a próxima cidade ou voltar para Bahia Blanca. Depois de acenar algumas vezes com o dedo decidi que era melhor voltar para Bahia Blanca. Passei para o outro ladoum senhor com um carro bem velho e dois cachorros parou. Era um morador local. Me ofereceu carona  até uma cidade a 40 km onde tinha loja de bike mais era fora da minha rota.  Pensei por alguns minutos e fiquei na dúvida se aceitava ou esperava por outra carona, alguns minutos veio uma pick-up grande que tinha espaço para a bike e os alforges. Era cunhado do Senhor que havia me oferecido carona. Ele acenou mais o carro não o reconheceu e seguiu para 100 metros após parar e logo em seguida dar a macha à ré.  
 
A Carona me levou de volta para Bahia Blanca e me deixou em frente a bicicletaria na Rua Brasil.  Comprei um pneu novo e câmara reserva.  Logo em seguida vi que só tinha a luva da mão direita a esquerda ou caiu ao colocar as coisas no carro ou ficou na caminhonete. Comprei um novo par .
Depois fui encontrar com uma amiga que conheci no couchsurfing e fui passear e tomar uma cerveja no parque. A noite fui para a casa de Augustin, que fiquei na noite passada, também do couchsurfing, a chave estava com eu vizinho , pois ele trabalhava a noite e de madrugada. 
Isso é legal. Pessoas que mau conhecemos deixando ficarmos em sua casa com a maior confiança.
 
13 de fevereiro
 
Era meu aniversário, mais como não ligo muito para isso segui naturalmente como um dia qualquer. Na verdade gosto de passar aniversário assim, viajando e só com isso já estava feliz. 
Os planos mudaram e decidi ir até Bariloche de ônibus para depois iniciar a Patagônia, agora pela rota 40, um caminho muito mais bonito do que o que havia feito por poucos km, a rota 3.  Tentei comprar passagem pela internet com o cartão da minha mãe mais não consegui. Segui para a rodoviária e lá mesmo almocei canelone. Comprei passagem com o meu cartão Itau de débito internacional. Depois esperei até as 23 horas para a viajem. Também comprei um mapa da Patagônia. 
A mala do ônibus havia um espaço muito pequeno para eu guardar a bicicleta, tive que pagar bagagem extra e a bike coube certinho, depois de dobrava em várias partes. Se fosse uma bicicleta grande aro 26 teria que despachar e não ir comigo. 
 
14 de fevereiro
 
Cheguei cedo em Bariloche. Ventava e fazia frio. Ao retirar a bagagem coloquei no chão. O motorista de ônibus ao dar a marcha à ré quase atropelou meus equipamentos e bike, ufa, que susto. Rodrigo, que eu conheci no couch surfing veio me buscar de carro e fomos para sua casa.  Era domingo. Depois a noite após rodrigo ver a partida entre News Old Boys e Rosário Central fomos a um bar encontrar com umas amigas suas e comer algo. 
 
15 de fevereiro
 
O planejado era sair cedo e iniciar a Lendária Rota 40. Mais, antes, teria que passar no banco para sacar um dinheiro e pagar uma parte que Rodrigo havia me emprestado para pagar uma pizza do dia anterior.  Mais para variar estava com dificuldade de retirar dinheiro pelo meu cartão do itau. Acabei ficando mais um dia em sua casa para  tentar resolver as coisas. 
Fui a uns 5 bancos e nada, o mesmo problema. 
Tentei ir a agência de turismo comprar travel cheque mais não conseguiria por cartão. Acabamos indo ao mercado para fazer compras para ele, eu paguei com o cartão, ele retirou a sua parte que devia e deixou um dinheiro comigo. Depois ele contactou o grupo delo do whatsapp do couchsurfing explicando a minha situação. E uma amiga sua também ciclista iria fazer compras no mesmo dia.  
E eu , novamente no mesmo mercado entrei com ela, paguei suas compras e ela me deu o dinheiro. Era o geitinho brasileiro criativo de descobrir soluções para os problemas. 
Depois fomos ao centro com mais duas amigas de Rodrigo ver o pôr do sol e conversar. 
 
16 de fevereiro
 
Fazia uns 10 graus, porém meu corpo estava quente e ancioso para começar a rota 40. Logo em seguia parei para e uma brasileira me viu e veio falar comigo. Era uma paulista que morava em Bariloche, já havia feito cicloturismo e ficou encantada com minha aventura.  Passei o nome do site e segui viagem. 
Antes de chegar a rota 40 havia algumas subidas bem ingremes para fazer. Depois apareceram as montanhas e em seguida os lagos. E parava toda hora para tirar foto. As subídas e descidas se sucediam. E as paisagens agora eram cada vez mais lindas. Valeu a pena ter trocado a rota 3 pela Rota 40. 
Parei a 45 Km de El bolson e fiquei em um ex- camping. Na verdade a dona me explicava que era um camping, mais para cicloturistas permintiam acampar de graça. Havia muito espaço. Ela era dona de um restaurante e dentro havia muitas histórias da patagônia e livros para vender. 
Comi um pedaço da sua torta de Amora, para ajudar. Nessa vida um ajuda o outro, ela me ajudou com o camping de graça e eu comi sua sobremesa depois de eu fazer um macarrão. 
 
17 de fevereiro
 
Segui por lindas paisagens de montanhas e lagos .Encontrei alguns cicloturistas, e segui  tirando fotos e filmando.  Parei em um bar no meio daquela paisagem magnífica. A dona, uma senhora que descendia dos Mapuchos disse que eles quasem foram explusos de sua terra e viviam expalhados agora por Chile e Argentina. Os Mapuches são um povo aborigenes ( que no final do sec. XIX viviam nos locais onde são a Argentina e Chile atualmente e eram habitados pelos Mapuches e foram tomados pelo militares). Algo semelhante o que aconteceu com os indíos no Brasil. 
Essa história sendo contada na presença de um quente café com leite para espantar o frio. 
 
Encontrei uns ciclituristas argentinos que me indicaram uma casa para ficar de graça em El Bolson. A casa era de um Argentino mais quem tomava conta era um Italiano. Já havia algumas pessoas lá entre elas uma Portuguesa, duas argentinas, uma americana, um argentino.  Acampei do lado de fora no quintal ao lado da casa.  O banheiro era seco, sem descarga. Era um banheiro de uns 2,5m de madeira fora da casa, com uma privada ao lado e uma curtina para as pessoas entrarem. La tinha a privada e o local certo para fazer cocô e xixi. Após fazer o  cocô jogava terra para para não dar cheiro e fechava a tampa. E parece que funcionava bem.  
Consegui tirar dinheiro pelo cartão prepago internacional  Acesso card. Mais com uma taxa bem alta de imposto pela retirada.  Depois comprei uma luva artesanal de lã de ovelha, me pareceu bem quente e gostei. 
 
18 de fevereiro
 
Ainda escuro acordei, havia dormido bem cedo e descansado bem. O pneu estava vazio e reparei a câmara com kit remendo.  Saí e todos ainda estavam dormindo. Passei em um mercado e restabeleci o alforge com algumas comidas. Tirei algumas fotos. A beleza da Patagônia  parece não ter fim. Encontrei alguns cicloturistas que me indicaram um camping em Cholila, por sinal o único na cidade. FIcava em um relvado bem bonito e a vista para uma montanha. Fiz lentilha com arroz e tomei um banho de chuveiro muito gelado. De madrugada fez muito frio. Utilizei o saco de dormir pela terceira vez na viagem,, também luva e meia. Na Patagônia quando fosse acampar era necessario. 
 
19 de fevereiro
 
Pela manhã a barraca estava com uma fina camada de gelo. Penso ter feito uns zero graus. Dentro da barraca fez uns 8 graus. Não saí muito cedo por causa do frio. 

Em seguida comecei a pegar rípio( uma especie de pedra e terra) que me custava pedalar e fazia poucos kilometros. Cheguei ao Parque Naciona Los Alerces e depois de pagar 100 pesos fiquei no primeiro camping grátis após a entrada. 
Vista linda para a lagoa. Almocei lentilha com arroz e sardinha que tinha sobrado da vespera. A comida estava frio mais com a fome estava deliciosa. Já dizia meu pai, o melhor tempero é a fome.  A tarde dei um mergulho no lago, a agua mais gelada que vi na vida. Mais o sol da montanha é mais forte e me esquentou rápido. 
 
20 de fevereiro
 
Segundo dia no Parque Nacional da Patagônia. O rípio( pedra e areia) não me deixaram ir muito longe. Parei a 30 km no segundo camping grátis. Montei a barraca em frete a lagoa. Não tinha muito vento e não fazia muito frio. Perdi minha luva novamente, tá ficando chato e repetitivo. Será que vou ter que colocar uma cordinha para pindurar no pescoço quando tirar.  Novamente mergulhei no lago gelado. Não havia muita tente no camping como no primeiro dia. 
 
21 de Fevereiro
 
Havia acabado a comida e só sobrou um pequeno bolo de café da manhã. Degustado com gosto. Sabia que tinha que que comer algo no meio do caminho mais era difícil e raro algum lugar para comer onde eu estava. Mais como muitas coisas que não sei explicar apareceu antes de uma ponte justamente o que eu estava precisando. Um camping que tinha café da manhã para tomar, além de algumas coisas para levar. Dito e feito parei e tomei aquele café da manhã com direito a 2 copos cheios de café com leite, pão com manteiga e geléia. E ainda sobrou e levei para o alforge cozinha.  Depois terminou o ripio e iniciou o asfalto.  Acabei seguindo até Esquel e fiquei no Planeta Hostel. Fui recebido por Pedro um Paranaense que trabalhava lá. No turno da noite outro brasileiro, um paulista. 
Chorei e ganhei um desconto. 
No quarto fiquei com um eslovaco, um argentino e uma outra argentina. 
 
22 de Fevereiro
 
A minha roda estava estranha. Parecia que tava empenada. Depois passei na loja de bike local. Eles não fazim concerto , só vendiam e me indicaram para ir pedalando na casa de uma pessoa que consertava. Chegando lá verifiquei que tinha um rasgo no pneu. Então voltei a loja e comprei um outro pneu, antes encontrei outra loja e comprei uma camara e troquei os freios traseiros.  O pneu era argentino e havia outro mais caro americano. Comprei o Argentino e não deu muito certo. Também comprei um liquido para colocar na câmara que evitaria que esvaziasse quando tivesse pequenos furos. 
Voltei para o Hostel e preparei a bike. Já era quase duas da tarde quando saí. Quase chegando a trevelin o pneu explodiu. O pneu argentino era de péssima qualidade e não durou um dia. A parte de aço já estava para fora o que fez encostar na camâra e explodir. 
Tentei reparar mais não dava. Teria que voltar para Esquel ou seguir para Trevelin e ficar em algum lugar para dia seguinte voltar para Esquel.
Meu amigo do hostel que também viajava de bike passou por mim e seguiu para Trevelin. Acabei conseguindo carona com uma caminhonete o que pela segunda vez na viagem me deixaram em frente a loja de bike. 
A loja era Coyote e troquei o pneu para um americano de BMX com cravo e mais caro. Talvez essa seria a solução para fazer a rota 7 cordilheira com ripios. 
Acabei pagando com dinheiro e fiquei sem dinheiro para hospedagem. 
Depois de tentar tirar dinheiro no cartão itau e não consegui tentei ver os preços dos hoteis mais era inviável. Voltei para o hostel que estava e expliquei a situação. Teria que enviar o dinheiro para o cartão pre pago de credito e ficaria mais uns 2 dias no hostel. Mais so poderia pagar de um a dois dias. 
Dito e feito, quem estava na recepção era o Paulista. Nada como a boa flexibilidade brasileira. Que entendeu a situação.
Assim poderia ficar tranquilo, atualizar blog e descansar para uma dura trajetora que vinha a seguir. 
 
 
23 de Fevereiro
 
Dia tranquilo, sem a loucura de sair para a estrada. Liguei para o Itau da cabine telefonica, me passaram um numero 0800 que não consegui ligar. Ainda não foi desta vez que consegui resolver essa novela do itau. Saquei o dinheiro do cartão de crédito pré-pago. Comprei chocolate e fui ao mercado. Caminhei um pouco pela cidade. Depois de meio dia as lojas todas fechadas, pois é o horario de siesta até umas 16hs e ficar aberta até as 20hs. 
Voltei para o Hostal e conheci mais um senhor Americano de cerca de uns 60 anos , mochileiro, ex intrutor de kaiaque que viajava pela Patagônia.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

URUGUAI

29/01/2016 14:06

Uruguai

25 de Janeiro

Dia de atravessar a fronteira Brasil-Uruguai. Saí tarde do camping. Mais uma vez os pneus vazios e aproveitei também para lavar a bike. As ferrugens no dia que passei pela areia tinha tomado a corrente. Passei sabão e água e depois lubrifiquei a corrente. 

Segui pela praia e pneu esvaziou novamente. Depois pedalei  por mais  12 km. 

Terminava a parte pedalável na areia e depois tive que pegar a estrada com pouco espaço para bicicleta e a companhia dos carros. O pneu esvaziou novamente. Já estava ficando de saco cheio com esse problema. Já estava pensando em retirar algumas coisas dos alforges e deixar pelo caminho. 

Passei a fronteira, apresentei meu passaporte e já estava no uruguai. 

Segui para a cidade de La Coronilla. Fiquei em uma pensão bem barata chamada Las Maravillas, da simpática Beatriz.

Fiquei sentado na entrada do hotel por alguns minutos após chegar observando acala tranquilidade, um passarinho saía do galho e ia se banhar na poça.  

O hotel tinha 80 anos e era de salas grandes e bem bonito com quadros tipo painel e uma bonita arquitetura. 

Consegui até lavar minha roupa na maquina de lavar. Um luxo nessa viagem. 

Ao dormir a tomada não funcionava

 

25 de Janeiro

Dia de atravessar a fronteira Brasil-Uruguai. O pneu, para variar, estava furado. Aproveitei para lavar a bike. Os ferrugens dos dias que pedalei pela areia tomou conta da corrente. Tive que esfregar bem para retirar as ferrugens.  Depois lubrifiquei. Segui pela areia por mais 12 km.  Depois a areia terminou e peguei a estrada e alguns carros nervosos. 

Foram mais 38 km até a cidade de La Coronilla onde consegui uma pensão mais barata chamada Las Maravilhas da simpática Beatriz. 

Fiquei sentado na entrada do hotel por alguns minutos absorvendo aquele momento. Um passarinho saiu do galho e foi se molhar em uma poça. Ali o tempo parecia que era mais lento. 

O hotel tinha 80 anos e tinha salas grandes com quadros enormes. Consegui até lavar a roupa na máquina de lavar. Ao dormir a tomada não funcionava e o ventilador não ligou. Com isso os mosquitos atacaram. Matei 13 deles. E não dormi muito bem. Consegui pagar em real apesar de ter trocado alguns pesos na farmácia local. 

26 de janeiro

Não saí cedo. Tomei o café as nove e meia e em seguida acessei a internet.  Quando saí já passava das 11hs e não fui muito longe. Passando pela entrada da famosa Punta del Diablo o pneu esvaziou mais uma vez. E resolvi ficar na cidade.  Encontrei um casal ela argentina e ele venezuelano que me recomendaram a cidade. Mais depois de eu ficar na cidade não vi nada demais. Não sou muito chegado ao turismo tradicional com cidades cheias e praias lotadas. 

Entrei na cidade e logo em seguida encontrei um camping  por R$45. Achei caro e logo a frente encontrei um hostel. Também achei caro por R$56.  Segui e encontrei o camping da viuda por R$25. 

Conheci um brasileiro que estava a 7 dias no camping. Gostava de tirar fotos era do Espirito Santo e veio de carro. Fui ao centro ver se conseguia comprar um butijão. Mais não consegui. Foi bom para dar uma volta e conhecer um pouco a cidade. 

Conheci um cicloturista uruguaio que estava no camping e me convidou para comer um churrasco a noite no camping com seu outro amigo. 

A noite depois de uma cochilada acordei e fui ao churrasco. Que era logo em frente a barraca. Chegando lá o churrasco era vegetariano. Espetinho de cebola , cenoura e outros legumes.  Alguns tinha frango. 

27 Janeiro

Levantei cedo e fui para Pedrera a 100 km.  Nesse dia conheci muitos cicloturistas , cerca de 9 (3 uruguaios, 1 brasileiro e 5 argentinos) . Depois segui até o camping Punta Rubia.

28 de Janeiro

Fui até José Ignácio, antes conheci a Laguna Rocha onde hà uma linda lagoa com muitas aves. Aproveitei para tirar algumas fotos e curtir o lugar.  Depois tive que empurrar a bike pela areia mole.  

Conheci um casal el ingles e ela argentinos que estavam fazendo cicloturismo de Buenos Aires até Rio de Janeiro. Ficamos ali sentados ( os três) embaixo de uma arvore com a vista para o lago. 

Depois segui para José Ignácio um balneário com uma linda ponte  e uma escola de kitesurf. Me chamou a atenção que a escola era patrocinada pelo Itau. Parei pois pensei que fosse de algum brasileiro mais era de uma uruguaia. 

Encontrei uma brasileira do Rio de Janeiro era amiga da dona. Sentamos e conversamos. Ela estava passando alguns dias . Conversei a acabei comendo uma Tortilla(especie de quiche uruguaio).  Em seguida fui atras de onde ficar

Só havia un hostel. Muito caro por sinal. Mais eu não tinha onde dormir e a noite chegava. O hostel do Jaime havia apenas dois hospedes. Uma italiana que morava em França e um argentino. Os dois passeando. 

Descobri que no uruguai conta corrente é a nossa poupança  e caixa de arroios é  a nossa conta corrente. Por isso que tentei tirar um dinheiro com o débido internacional itau na caixa eletronica e não consegui. No hostel acabei descobrindo isso com o dono e consegui pagar com cartão. Um alívio pois eu tinha poucos pesos e estava preocupada em ficar sem dinheiro. 

Fui dormir em um beliche em um quarto com varias camas porém somente eu. A noite fez calor e tive que abrir uma das janelas. 

29 de Janeiro

Tomei café da manhã acompanhado da italiana e do argentino. Fiquei mais um pouco no hostel mostrando uns videos de minhas viagens para a Italiana e escrevendo o blog. Saí uma duas da tarde pois estava um pouco nublado e com a possibilidade de chuva. 

No caminho um ciclista me perguntou de onde estava vindo e me indicou um lugar para almoçar.  Um gnoque uruguaio. Muito bom por sinal. 

Segui para Punta del este. Chegando na cidade de predios caros que parecia um pouco com a barra da tijuca parei em uma bicicleta alugadas pelo itau. A primeira que eu vi desse tipo por aqui. Conversei com um casal que trabalhava no aluguel. Ele ficou impressionado que eu viajava de bicicleta. Não sabia o que era cicloturismo. 

Depois segui para o hostel B&B que dois argentinos cicloturistas que conheci no caminno me indicaram.  Conheci Yame uma argentina da Patagônia muito bonita e simpática. Me identifiquei com ela e ficamos conversando. Ela e seu namorado trabalhavam direto no hostel. 

Yame  havia morado no Brasil e trabalhado lá. 

Depois fui ao shopping Punta Shopping tentar encontrar meu butijão pequeno para cozinhar. Só encontrei um modelo de furar. Na volta me perdi um pouco mais depois achei o camping, era noite. 

30 de Janeiro

Acordei cedo pois dormi muito bem. Fiquei no computador atualizando o blog e carregando o celular. Depois conversei com outra argentina Luciana.

O café da manhã teve sucrilhos com leite e depois pão com geléia. Muito bom.

Na estrada havia algumas subidas mais nada muito ingreme. O acostamento era bom. Pedalei por 100 km nesse dia. Até chegar a um camping em Atlantida. 

Antes de chegar ao camping encontrei com um Brasileiro do Rio Grande do Sul . Ele estava vindo de bike de Montevideo até sua casa. TInha ido de ônibus até a capital uruguaia. 

Meu dinheiro estava acabando e eu não estava conseguindo tirar com meu cartão nos caixas eletrônicos do Uruguai, mesmo sendo da rede Cirrus que tinha parceria com o Mastercard. Utilizei somente uma vez no Hostel en José Ignácio. 

Eduardo, o cicloturista brasileiro trocou um reais por pesos comigo. Depois montamos a barraca e fomos a cidade no mercado e acabamos comento algo no centro de Atlantida. Estava muito movimentada a cidade. Com feiras gastronomicas e artistas de rua. 

Depois voltamos para o camping. Um tempo depois uma voz estranha gritando, era o dono. É que não pagamos quando chegamos e iriamos pagar pela manhã. Acertamos tudo com o dono rabujento indo embora. 

31 de Janeiro

Saímos do camping e tentei retirar dinheiro no caixa eletrônico uruguaio. Não consegui. FIz uma transferência pelo aplicativo do Itau para Eduardo e ele me deu mais alguns peso. As coisas e as pessoas parecem que aparecem na hora certa. 

Depois pedalamos até uma escultura de Aguia na praia que a um tempo atras foi a casa de um uruguaio.

Segui para Montevideo e Eduardo para Punta del este.

Cheguei a Montevideo e não havia quase ninguém na rua. Achei esquisito. Mais logo em seguida parei no posto e me informaram que os uruguaios no final de semana vão todos para o balneario Punta del este e arredores.

Cheguei em "La Rambla" uma praia com muito vento. La parei na rua principal e comi um quiche uruguaio com uma bebida comprada pela coca-cola de pêra.

Segui para a casa de minha amiga professora de Flamenco e seu namorado músico. Fui muito bem recebido e logo em seguida estava eu tomando um delicioso suco de banana com pessego e depois comendo um churrasco. O casal era muito simpático e inteligentes e gostei muito de ficar com eles conversando.  Eles tinham também dois cachorros e um gato que conviviam de forma pacíficas. 

1 de fevereiro

Dormi bem no colchão confortável que prepararam para mim. Depois fiquei no computador e carregando os equipamentos eletrônicos.  Fui tentar tirar dinheiro e não consegui. 

 

 

 

 

 

Fui

12/01/2016 12:06

SUL DO BRASIL

01 de Janeiro de 2016

Acordei antes das 5 horas. Foram poucas horas de sono, pois na vespera fui ver com meu pai ver os fogos no Reveillon na praia do Flamengo. Minha mãe não quiz ir. Estava cansada e resolver dormir cedo para ir no primeiro dia do ano conosco até o aeroporto Santos Dummont.

Dormimos pouco e saimos cedo para pegar o avião as oito e meia da manha. A bicicleta havia ficado embalada na bolsa bike dentro do carro do meu pai no estacionamento rotativo. Fiquei um pouco apreensivo com isso. Mais tudo bem, não aconteceu nada. Ela continuava la no banco de tras pronta para a viagem. Alforges arrumados e partimos.

Check in rápido e excesso de bagagem. Mais 15 kg além do permitido. Paguei mais  R$140.  Depois fomo tomar um café e esperar a partida. Um dos alforges ficou comigo como bagagem de mão. 

Despedidas , abraços e beijos nas pessoas que mais amo nesse mundo.  No avião para São Paulo conheci um casal de Israel que me deu um mini livro escrito em Ebraico sobre cabala que é um sistema filosófico-religioso judaico de origem medieval. Disseram que era para dar sorte e eu guardei no alforge. Sorte é sempre bem vida. SImpática ação do casal. 

Fiz escala em São Paulo e peguei outro avião para Florianópolis. Chegando lá sempre aquela espectativa em receber as malas, e nesse caso os alforges e e a casa na bike. Olhando de longe a esteira rolante já avistava os alforges e bikes chegando. Apressei o passo e peguei um por um Coloquei no carrinho e segui até a entrada do aeroporto para montar a bike e seguir viagem até a casa do amigo cicloturista Fábio Almeida e familia que iria me receber.

A bike não foi muito bem tratada no transporte , a coroa grande havia amassado um pouco e também o bagageiro dianteiro. Mesmo com a proteção que fiz com plástico bolha e papelão nas partes mais sensíveis e o funcionário da GOL que havia colocada um adesivo na bolsa com  a frase "frágil" não  adiantou muito.

Um senhor chegou até mim curioso com a bike e os alforges. Ele estava esperando sua filha que morava no Rio de Janeiro. Me ajudou a montar a bike e a jogar alguns lixos na lixeira. Como presente dei a bolsa bike para ele. Afinal de contas era um peso a menos para ser transportado. Quase 1,5 kg.

Na saída a corrente estava saindo toda hora, tive que desamassar um pouco para seguir viagem. Nesse primeiro dia seria somente 12 kg. No final, ja chegando na casa de meu amigo uma ladeira enorme que me forçou sair da bike e ir empurrando. 

Ele estava sozinho, sua esposa e filho estávão na cada da sogra. Aproveitei para arrumar o bagageiro dianteiro, conseguindo um parafuso que permitiria ficar mais firme para o encaixe dos bagageiros. 

Depois conversamos e fomos almoçar na casa da sogra dele. Lá fui apresentado a sua simpática esposa , filho e sogra.  Depois voltamos para sua casa.

Lugar agradável. Com pouco barulho e o canto dos pássaros pela manhã.

 

02 de Janeiro

Saí com uma rota no GPS que o Fábio gravou. Foi só seguir para o Sul de Florianópolis. Lugar bonito. Aproveitei para tirar algumas fotos. Algumas ladeiras testaram a minhas pernas e a bike pela primeira vez, chuvia tabém. Chegando ao sul peguei um barco até a praia dos sonhos. Ficaria ali a noite em um camping para seguir viagem no dia seguinte. FIz compras e testei pela primeira vez a barraca.  Apesar de achá-la um pouco quente para o verão achei a zephyros 2 lite terra nova boa na chuva e com espaço para guardar os alforges, tênis. E o melhor pesando apenas 1.5kg.  

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

03 de Janeiro

Choveu a noite toda porém pela manhã parou. Pedalei os 61 km sem chuva. Antes de chegar a Garopaba parei em uma lanchonete que vendia   caldo de cana. Tomei um copo de quase meio litro . Nossa, foi o melhor caldo de cana de minha vida, acho que tinha limão e era batido e cremoso. Parei um pouco lá e conversei sobre minha viagem, para atenção do dono e seu amigo que acompanhavam o meu relato. Não satisfeito pedi outro copo de meio litro. Cheguei em Garopaba pedalando uns km pela areia e fui até o camping Lagomar.

04 de Janeiro

Chuva de madrugada, sai umas nove horas e logo  no início encontrei uma tijela de acaí. Era tudo que precisava.  No Rio tomava sempre açaí. Além de ser uma excelente refeição fornece muita energia e calorias. Ideal para um pedal longo como esse que estou fazendo .  Fui até laguna. Não choveu.  Esqueci de colocar filtro solar e colocar meu boné legionário( daqueles que cobrem a nuca , ouvido e tem viseira), usava somente o capacete e fiquei com o nariz ardendo no final do percurso do dia.  Chegando no camping um argentino que estava lá com sua esposa veio até a bicicleta. Eles estavam viajando Brasil e America do Sul em seu trailer a mais de 1 ano. E voltavam para o casamento de sua neta. Disse que se passasse perto da sua casa na argentina poderia ficar em sua casa. Almocei lentilha , atum e pão. 

05 de Janeiro

Tomando meu café da manhã chegou um gaúcho chamado Rafael. Era muchileiro e estava indo de onibus e apé. Saiu do Rio Grande do sul até Santa Catarina, tinha um mês para fazer a viagem. sem celular . Queria desapegar um pouco  do estresse e da tecnologia que estava acostumado onde vivia. Acabei oferecendo um pouco do suco e sandwiche que tinha sobrando. Conversamos um pouco e ele foi fazer se alojar e dar uma volta pela praia. 

Fui para Tubarão pela estrada de terra. Muito vento, calor e areia que fazia a bicicleta derrapar e as vezes caia.  Consegui um espaço bem no canto da estrada. A paisagem era linda e não havia quase carro. Cheguei na cidade sem saber onde ficar e encontrei uma barbearia diferente. Era uma barbearia e tatuadora na cidade. Conversei com os caras e me indicaram uma pensão. Fiquei um pouco ali usando o wi-fi deles e tomei uma coca-cola. 

Depois indo em direção a pensão parei em uma bicicletaria. O mecânico e a propietária eram muito simpáticos. Concerto de freio e marcha e não me cobraram nada. Depois fui para a pensão e descancei. Liguei pela primeira vez o notebook. Vi também que tinha uma pessoa da cidade que me aceitara no couchsurfing. Mais aí  já era tarde, tinha me hospedado. Na chegada da pensão disse que vinha de bicicleta e o funcionário me informou que a bike teria que ficar na garagem. Eu disse que era dobrável e ele permitiu levar para o quarto. Essa é uma das grandes vantagens de viajar de dobrável. Muito prática e não deixa a desejar para uma aro 26 MTB. Pelo menos essa que comprei e adaptei para fazer cicloturismo. 

06 de janeiro

Nada como um bom café da manhã de hotel. Daqueles com frutas, yogurte, pães, bolos, etc. As minhas células já estavam todas animadinhas antes da degustação no final ficaram cheias de energia. 

Pela primeira vez saí cedo. As oito horas já estava na  movimentada BR-101. Os caminhões e carros em ritmo alunidados e eu parecendo uma tartaruga ao lado deles. 

Depois dos quinze quilômetro iniciais estava meio tenso e o pescoço começou a doer. Alongamento para um lado e outro e nada. Então resolvi parar em uma lanchonete. Comprei café e biscoito com uma linda garçonete, conversamos um pouco e ela me perguntou se o que fazia era promessa ou se tinha me recuperado de uma doença e eu respondi, faço isso justamente para não ficar doente, por que amo a vida. E ela deve ter ficado pensando.Segui os 70 km até Cricíuma  

Havia um casal que havia oferecido lugar para ficar, era do warmshowers que para quem não conhece o site oferece estadia de graça na casa dos cicloturistas do mundo todo. Porém o casal só poderia a noite e eu iria chegar a cidade umas duas horas. 

Fiquei na casa de outra pessoa do Couchsurfing, o Ricieri. Ele era de Tubarão, cidade próxima a Cricíuma mais vivia lá. Tinha uma bonita casa com piscina. E não é que ele convidou para tomar banho na piscina de sua cobertura. Ele era engenheiro e fez uma reforma super estilosa em seu apartamento. Também era mochileiro e gostava de viajar. 

Mais tarde chegou sua bonita namorada e fizemos um churrasco. Depois deixei os dois e fui dormir. 

 

07 de Janeiro

Cedo Ricieri tinha que trabalhar e saí cedo de sua casa. Acabamos indo a pé a uma bicicletaria pois tinha que ver se eles tinham  uma corrente para trocar na bicicleta. Meu amigo continuou sua caminhada até o trabalho e nos despedimos. Fiquei aguardando abir a loja por mais meia hora. O atendente disse que tinha que trocar corrente e cassete e o serviço demorou um pouco a ser feito. Quando saí de lá minha outra amiga do couchsurfing me contactou. Era a próxima cidade que eu iria parar, porém ela iria resolver algumas coisas em Cricíuma e sugeriu a carona. Eu não gosto de ir de carona, ainda mais de carro. Não é o objetivo da viagem mais resolvi aceitar. Já era tarde e o sol estava muito quente. Além do mais já havia uma semana de pedal e um dia de descanço era bem vindo. 

Marcamos em frente ao bombeiro. A bike dobrada coube no banco traseiro junto com os alforges,mais um motivo de se viajar de dobrável, e segui com ela para ir a alguns bancos resolver  algumas pendências . Almoçei em um restaurante que ela costumava ir, Marta não almoçou já que  acabara de vir de um tratamento no dente e não podia mastigar. 

Depois seguimos para sua cidade, porém ela corria muito no carro e fiquei tenso. Muito mais tenso do que quando pedalava ao lado de caminhões e carros.  Mais no final chegamos bem. E ela me contando quando era bombeira e tinha que socorrer vitimas de acidentes de trânsito. Mais chegamos bem, ufa!!! rs

 

Fui muito bem recebido por sua família. Sua mãe, um amor de pessoa me recebeu como fosse seu filho. Disse que sentiu uma energia super boa em mim. Me senti bem a vontade. Seu marido gerenciava um bar na cidade de Balneário Silva enquanto os clientes jogavam cartas e Bocha (jogo praticado com diversas bolas grandes e uma pequena). 

Subi umas escadas e dencasei um pouco no cantinho que reservaram para eu dormir e ficar a vontade. E de lá havia uma linda vista para o campo de futebol. 

 

Havia tambem a filha de Marta, uma adolescente de 14 anos e quase um metro e oitenta de altura. Muito simpática. 

Elas me levaram para conhecer a cidade. No centro, o Prefeito ficava reunido com a polulação  e assistia a um jogo de futebol na quadra central. 

No retorno jantei com sua familia e fui dormir já quase uma hora da manha.

 

08 de Janeiro

Fui conhecer pela manhã mais um pouco a cidade. Com destaque para a plataforma de pesca de quase 450 km de estensão. 

Também o Morro Alto que mostrava uma linda vista da cidade. 

Voltamos para sua casa, almoçamos , nos despedimos e segui em frente já quase duas horas da tarde. 

O destino era Torres, já no Rio Grande do Sul. Tive que andar um pouco mais rápido e percorrer os 70 km antes de anoitecer.

Cheguei no limite, já era quase oito horas da noite e achei um camping chegando a cidade. 

 

09 de Janeiro

Não foi dessa vez que consegui sair cedo. Enquanto arrumava as coisas conversei com um artista uruguaio que estava acampado lá. Depois com um argentino que me deu conselhos e rotas a seguir quando chegar na Argentina. Já eram quase 11 horas da manhã, sorte que estava nublado.

Cheguei a Arroio Teixeira quase cinco horas da tarde. Ao chegar fui recebido por uns gaúchos que moravam no camping em umas casas que faziam parte do enorme camping. 

Arrumei a barraca, tomei banho e fui jantar. Estava cansado das noites mau dormidas dos dias anteriores. Acho que aos poucos irei acostumando a esses anos  de nômade. 

Era ainda oito horas da noite quando fui dormir. Acordei de madrugada e depois voltei a dormir. 

 

10 de Janeiro

Sai bem cedo e ao sair do camping o dono disse que não precisava pagar, pois havia muito espaço. Dei umas dicas para ele colocar um roteador e wifi. Segui até meio dia pedalando. Era do domingo e muitos carros na estrada que não tinha acostamento. Apesar disso os carros respeitavam, pois era frequente a passagem de ciclistas e de placas informando que cilistas passavam por ali. 

Parei na Tenda das Artes, um estabelicimento novo que vendia pão, salame, e havia shows a noite. O senhor e dua tia que estavam trabalhando lá diziam que tinha muitos planos para o novo local. 

Segui até Imbé, parei já na cidade e vi uma barraca vendendo abacaxi. Perguntei se poderia descascar na hora. O vendedor disse que sim, e eu comi inteiro um delicioso e médio abacaxi. 

Perguntei sobre o camping e ele me informou que era só virar a direita e seguir por alguns metros. 

Cheguei, conversei um pouco com os dois funcionarios. Uma moça que disse que tinha o desejo de viajar de bicicleta e um senhor que gostou da bicicleta e da aventura. Ganhei um desconto para o projeto. 

Carreguei o celular, almocei fiquei na barraca pensando se iria no dia seguinte direto para Porto Alegre ou parava antes. 

11 de Janeiro

Aos poucos vou ficando mais rápido na arrumação de tudo. Cada coisa em seu alforge especifico. E procuro já deixar quase tudo pronto antes de acordar. Ainda não tinha clareado o dia quando levantei da cama isolante térmico. Minha meta era chegar a Porto Alegre. Seria puxado. Mais de 120 km com a bike pesada e muito calor.  Sai as sete da manhã. No início o acostamento era muito ruim com muito buraco, pedra e a garrafa d´água até caiu uma vez. Depois dos 15 km iniciais as coisas começaram a melhorar. Parei para tomar um café com leite e comer um pão que havia comprado na Casa das Artes.  Pela BR 290 . Uma autoestrada muito boa. E ótimo acostamento. 

Comecei a escutar uma música e o rendimento melhorou ainda mais. Pelo menos não ficava escutando aquele barulho de carros e caminhões passando ao meu lado. 

Porém a estrada tinha uma coisa de ruim. Quase nenhum lugar para parar e comprar aguá ou fazer um lanche. Por volta de meio dia meu lanche e agua aviam terminado. E olha que levei mais de 2 litros d´água. 

Continuei e vi uma placa indicando 5 km para um posto BR para reabastecer. Só que não me liguei , e a informação não era precisa que tinha que entrar a direita em direção a outra cidade e acabei seguindo em frete. Fiquei um pouco tonto pois o termômetro marcavam 42 graus. E não havia uma sombra para parar e descansar. Diminui o ritmo e segui na marcha leve. Escutando a música e pensando que aquilo seria um treino para o deserto do atacama que pretendo fazer em breve.

Já faltando 25 km para chegar em Porto Alegre enfim um posto de abastecimento, também entrando a direita em direção a outra cidade. 

Parei fiz um lanche, reabasteci com água. Conversei com os frentistas pelo melhor caminho a seguir até chegar a Porto Alegre e continuei.

Chegando perto liguei adicionei no google maps o endereço de minha amiga e ia olhando as vezes. Colocava no bolso o smartphone e de tempo em tempo ia olhando.  Destino casa de uma amiga que conheci do CouchSurfing.

Porto Alegre era uma cidade grande e o trãnsito e a furia dos carros nas ruas era conhecida por mim e por todos que vivem em grandes cidades. Eu já estava aostumado com o Rio de Janeiro, São Paulo , onde minha irmã morava e eu ia as vezes fazer-lhe uma visita. 

Porto Alegre me pareceu São Paulo, porém menos catótica e menos trânsito. Um lugar em que as pessoas usavam os parques para tudo.

Karine me recebeu super bem. Ela era uma bonita morena gaúcha , Psicologa que adorava viajar e receber as pessoas do couchsurfing em sua casa. 

Fiquei a vontade em sua casa. E como havia que trabalhar fiquei lá em companhia  das suas duas cadelas. Aproveitei para lavar a roupa suja, recarregar os gadgets e finalmente escrever o blog que estava no papel. 

Dia seguinte fomos ao parque. Agora entendo porque os gaúchos ficam doidos quando vão ao Rio ou outra praia. No parque da cidade encontra-se de tudo. Gente correndo, outros jogando voley, passeando com cachorro, meditando e etc. Isso em um parque que é umas dez vezes ou mais menor do que o Parque do Flamengo no Rio, considerado o maior parque urbano do mundo e projetado por Burle Marx.

 

12 de Janeiro

Aproveitei o dia para lavar roupa , fazer backup de fotos e atualização de blog. E descansar o corpo é claro. Depois fui a praça com Karine levar as cachorros. E no final vimos um filme no netflix.

13 de Janeiro

Fui almoçar com a Amiga da Karine e lá chegando ela estava com mais dois amigos, dois jovens, uma menina e um menino estudantes. A menina cantava em apresentações e o menino não disse o que fazia.  Já a noite encrementei a pizza que havia comprado e fiz mate. Jantei com Karine.

14 de Janeiro

Fui a Novo Hamburgo de Trêm na casa de meu amigo Leandro que a alguns anos atrás fez um mestrado comigo em Portugal. Ele agora tinha um estúdio de Pilates com uma sócia. Fomos almoçar e conversar um pouco. Achei a cidade bem bonita com a sua arquitetura Européia e com poucas pessoas nas ruas. 

Voltei depois do almoço e fui encontrar com Jurema, a amiga da Karine. Ela iria me levar para conhecer um pouco Porto Alegre. Fomos ao centro. Visita ao mercado popular com muitas coisas locais, como uma casa gaúcha que vendia coisas típicas como chimarrão, erva mate e etc.  E depois fomos tomar um sorvete que de tão grande as bolas escorria pela vasilha. 

Visitamos a casa de cultura do poeta Mário Quintana, um ex hotel onde ele morou. 

Depois conhecemos a Usina do Gasômetro que de 1926 a 1974 fornecia energia a carvão a iluminação de Porto Alegre e também o bonde elétrico. 

Depois na volta fomos encontrar a Karine e sua outra amiga, também professora de educação física em um bar tradicional da cidade. Conversamos, tomamos só uma cerveja. Sua amiga nós deu carona até a sua casa.

Existem lugares e pessoas que é mais difícil deixar na viagem e Karine e sua casa foi uma delas. 

15 de Janeiro

Acordei cedo, tomei um banho gelado e terminei de arrumar as coisas. Para  mim é a pior parte da viagem ter que arrumar tudo nos alforges.  Tomei café da manhã, uma tapioca que já havia muito tempo que não comia.

Não gosto de despedidas, e abracei forte Karine, os óculos escuros disfarçavam os olhos cheio d´água.  Confesso que gostaria de ter conhecido um pouco mais a essa mulher tão especial, mais devido ao seu trabalho não deu para fazer muita coisa. Tudo bem, é a vida. E novamente eu na estrada e o pedal, que cura tudo, uma espécie de terapia.rs

Foi bom ter conhecido Porto Alegre, mesmo tendo que pedalar mais um pouco para ter que voltar para o litoral. 

Em Àguas Claras conheci um morador que estava de moto com sua filha criança, eu ia parar em uma lanchonete e comprar algumas coisas e esperar um pouco o sol passar. Perguntei a ele quantos kilõmetro seria até a próxima cidade e  ele me convidou para almoçar com a sua família em um sítio perto, pedindo que eu o seguisse. Foi engraçado, eu com a bicicleta toda carregada seguindo uma moto. Parecia a formiga apostando corrida com o guepardo. De tempo em tempo ele me esperava lá na frente e perguntou se eu não queria segurar na moto para ele acelerar. Eu disso que tinha medo de cair e seguimos até o sítio. 

Lá encontráva sua esposa, o pai e a mãe dela. Também tinha um papagaio que sismou de bicar meu tênis, além de 2 cachorros e uns passarinhos. Almoçamos e depois ele me ofereceu a rede para descansar. Depois ele foi trabalhar de moto com sua esposa e eu na rede com seu sogro e sogra ali com aquele estranho. Parecia que eu já fazia parte da famíia. Foi legal. Eles todos moravam em Porto Alegre e nos finais de semana e férias iam para lá. A 30 km de Porto Alegre.

 

Segui para Capivari do Sul, em seguida o pneu furou . O acostamento era muito ruim.

Chegando na cidade perguntei para um senhor tomando chimarrão onde eu poderia acampar e ele me indicou o parque rodeio que estava tendo uma festa de rodeio.  Os peões(que eram quem montavam nos cavalos e laçavam em uma arena um boi correndo) me viram e perguntaram de onde eu vinha, eu disse e eles me convidaram para acampar ali e comer um churrasco de ovelha com eles.  Diversos peões com mulheres, filhos, namoradas ficavam em um parque. Cada familia e amigos no seu canto, era um final de semana de festival. Eu chagara em uma sexta feira e iria embora em um sábado e eles ficariam até domingo. Diziam que muitos torneios davam de premiação até um carro mais para eles o mais importante era a reunião com amigos e familia naquele momento.

Comemos o churrasco e fui dormir cedo e a festa rolou solta até o amanhecer. Quase até eu acordar.

16 de Janeiro

Tomei café de manhã com os peões e saí grato por tudo. A bike estava esquisita, um raio estava meio folgado e esvaziava a câmara de ar. Tive que andar de 2 em 2km e encher um pouco o pneu.  Cheguei a um posto de gasolina e ao lado havia uma borracharia. O mecânico apertou alguns raios. Pensei que tinha resolvido mais logo em seguida o mesmo problema. 

Acampei no camping Lagoa Azul. Tive que empurrar a bike por 5km pelo paralelepípedo.  O camping estava cheio mais tinha muito espaço. Escolhi um espaço perto do banheiro. 

Montei meu acampamento e depois tentei arrumar o raio, acabei tirando o raio.  Um gaúcho que estava acampado com sua família perguntou de onde eu vim com aquela biciletinha, levou um susto quando eu disse Rio de Janeiro. Depois me ofereceu um sandwiche com varios tipos de carne. Fiz macarrão e deixei para o dia seguinte. 

17 de Janeiro

Acordei cedo depois de uma boa noite de descanso. Comi uma maça e saí para uns 100 metros  depois parar em um mercado para comprar algum mantimento para levar.  Também comprei outro filtro solar que havia acabado. 

Segui para Maresias. Tinha 80 km pela frente rezando para que a não desse problema no pneu. E não é que rendeu bem. fiz 50km até antes das 13hs. A estrada com poucos carros e muita natureza para apreciar. Parei em um posto. Em seguida em uma casinha de madeira, que acho que foi construída para os moradores locais se protegerem enquanto aguardam onibus, que nessas cidades  deve demorar muito para passar. 

Parei para almoçar por ali mesmo o macarrão que havia feito no dia anterior.  Esperei os 40 graus passar.  Segui até Mostardas e fiquei em um camping vazio, mais com uma vista deslumbrante, depois vi o Pôr do sol e tirei umas fotos. 

18 de dezembro

Acordei, levei a bike até a casa de uma pessoa que trabalhava com conserto de bikes e deixei ela lá. Disse que estava atarefado. Depois fui ao mercado e levei alguma coisa para tomar o café na manhã no camping. Depois voltei para buscar a bike. 

Quando voltei, acabei almoçando também no camping e esperando o calor passar para sair. Isso já era quase 15 horas quando saí e mesmo assim peguei 40 graus no trajeto todo. Nessa temperatura o corpo não funciona direito, e luta frequentemente para se esfriar, já que nossa temperatura corporal não pode passar de 36 graus. 

Cheguei na cidade de Tavares e não consegui onde ficar. A bike estava também com o pneu vazio e acabei gastando um pouco mais , porém chorando um desconto no hotel parque. Mais uma vez eu tentando consertar a roda. Já nesse caso retirar o raio que havia colocado em mostardas e que não havia dado certo. Alguns hospedes vieram falar comigo e converamos. Um deles também gostava bastante de praticar esporte e andava de skate em ladeiras a quase 100km por hora e surfava em grandes ondas. 

Depois aproitei para ligar o computador pela segunda vez na viagem, aproveitando o wifi do hotel. 

19 de Janeiro

Acordei e ainda estava escuro. Fui ver se o café da manhã de hotel ja estava pronto. Tudo fechado. E esperei um pouco. Depois voltei par tomar aquele café da manhã maravilhoso com bolo, suco, pão, queijo, frutas, geléia.  Saí de lá bem alimentado. Ao iniciar o pedal a roda estava prendendo. TIrei tudo da bike e vi que eu não tinha encaixado a roda direito.  Desfeito o susto arrumei tudo e parti.  Foram quase 60 km até Bojuru. 

A estrada, com sua natureza, bois e vacas pastando e cavalos. Poucas casas. 

Faltando 10 km novamente o pneu furou. Segui e cheguei na cidade cedo. Comercio fechado . Parecia aquele seriado. O mundo sem ninguem. Fiquei ali pensando um pouco em o que fazer e fui em direção a um restaurante que havia um pequeno movimento. Alí conheci o seu Santos e recebi um almoço de graça depois de contar de onde estava vindo. Depois acampei atrás da igreja.

Fiquei ali conversando com as crianças. 

 

20 de Janeiro

Segui para São José do Norte. Eram 77 km até a balsa. Sete da manhã já estava pedalando e fui até a cidade de Estreito onde parei em um bar para tomar uma coca-cola e comer algo. Conversei com a vendedora e segui. Cheguei a São José do Norte. Peguei a balsa junto com caminhões, carros, cavalos, bicicletas, motos e pessoas. E a balsa calmamente sem se imortar com aquele peso todo seguiu durante 30 minutos a Rio Grande.

Quando desci já senti a atmosfera diferente. Um clima meio pesado, pessoas me olhavam como se eu fosse um E.T. 

Muitos carros enfurecidos, caminhões, fábricas e estresse. Eu já estava mau acostumado de pedalar por alguns dias naquelas estradas vazias e com muito verde. Segui assim por uns 10km até aparecer uma areia dura e comecei a pedalar lá. Parecia até Ilha comprida-SP que pedalei com Margot por 70km na areia.

Ali já fazia parte do Cassino, que era onde os gaúcos iam passar ferias, assim como uruguaios, argentinos. 

Algumas horas antes um cicloturistas que havia me seguido pelo facebook e que a uns dias atrás perguntava se eu iria passar pelo Rio Grande  me contactou pelo messenger. 

Então estasva indo em direção aonde ele morava. Foi incrível pois até algumas horas atrás eu nem sabia onde ficar.  Passei por aquelas areia dura que me diziam que tinha mais de 200 km e se extendia até o Uruguai. 

FIquei até animado em fazer o percurso por ela e não pela BR101. Saí da praia e  parei na rua Rio de Janeiro.  Depois enviei um whatsapp para meu amigo e marquei de encontrar com ele alguns metros dali. 

Nisso outro cicoturista local veio até mim e conversamos. Depois chegou William. Fomos até a sua casa onde fui apresentado a seu pai e logo a sua mãe.

Ele também havia me questionado sobre essa vida louca que vivemos hoje em dia nas cidades maiores e me disse que gostaria de fazer uma viagem grande. Ele trabalhava como segurança em um banco e tinha trancado o curso de psicologia. 

Também desenhava e fazia ótimos retratos. 

Depois fomos dar uma volta na cidade de bonitas mulheres com traços exóticos e com short pequeno mostrando uma bonita abundância que até o momento eu não conhecia nas gaúchas. 

 

21 de Janeiro

Fiquei praticamente o dia todo na casa que meu amigo William havia deixado para eu ficar. Seus pais moravam no andar de cima e a casa que eu estava era para alugar. Então fiquei lá sossegado aproveitando para atualizar fotos e blog também. 

Deixei a bicicleta na loja local para trocar os raios traseiros por uns mais grossos e resistentes.  O serviço só ficava pronto no dia seguinte e aproveitei para conhecer um pouco mais a cidade. 

A noite William me convidou para sair com amigos e amigas. Tomei uma cerveja e fomos a uma festa que estava tocando samba. Estava e outro rítimo e não fiquei até muito tarde. Voltei mais cedo e meus amigos permaneceram.

22 de Janeiro

Fui buscar a bicicleta já passava das 11 horas. Estava decidido a continuar a viagem naquele dia pela praia. Porém passei no caixa eletrónica e consegui bloquear o cartão com três tentativas erradas. Não sei porque as vezes dá um branco e esquecemos a senha.  TIve que ir até o centro de Rio Grande ao banco Itaú desbloquear. Foi fácil a ida de ônibus e em 30 minutos estava lá. Na saída do banco comi por ali mesmo. Um selfservice a R$10. 

Na volta arrumei as coisas e saí de Rio Grande por volta de 15 horas.  Peguei a areia dura na companhia de mais alguns km por william que foi em sua bike por uns 10 km. O vento estava a favor e nos ajudava. Passavamos pelos banhistas para olhares espantados e curiosos daquela pequenina bike cheio de coisas. Acabei esquecendo o carregador do celular em sua casa. Agora só me restava carregar por USB. Já era o segundo carregador que havia esquecido. Um outro havia deixado no camping no Rio Grande do Sul. 

Levei muita água. Tinha uma bolsa da MSR de 10 litros mais duas garrafas. Seriam ao todo 220 km na areia. Pensava em fazer de 3 a 4 dias. 

Pedale uns 30 km até umas 19 horas e nesse exato momento passou por mim um motoqueiro com um cachorro. Me informou que tinha uma casa abandonada a uns 500 metro a frente. Mais um anjo que sempre aparece nos momentos mais difíceis. Saquei logo e decidir passar a noite ali. 

Tive que passar por umas dunas que me exigiu muito esforço físico. A casinha estáva fechada com um arame. O motoqueiro disse que ela era frequente usada nos finais de semana para acampar. Estava alí para isso. Dentro não tinha banheiro só 2 sofás, uma pia um chão de madeira e um espaço de areia, que deu certinho para colocar a barraca.  Fiz uma comida e tentei dormir. 

Não consegui dormir muito bem. Imaginava que a qualquer momento alguém iria entrar ali ou algum animal.  Mais era quase impossível pois se tratava de um local isolado na areia de frente para umas energias eólicas. 

 

23 de Janeiro

Acordei antes da luz do sol com alguns barulhos. Espiei pela barraca e eram alguns sapos.  Levantei e fui arrumar as coisas. Aproveitei para tirar fotos do nascer do sol. 

Muita dificuldade para empurrar de volta para a beira do mar a bike. Umas dunas e areia mole até la. Percebi que o pneu estava um pouco vazio e enchi.

No início estava pedalando bem, mais logo o vento que no dia anterior era a favor se agora estava contra.  E também alguns trechos que a areia se tornava mole o que vazia a bicicleta derrapar e eu acabava caindo e as vezes tinha que empurrar. 

Em um certo momento me emocionei e comecei a chorar. Pensava na minha familia, pai, mãe, cecilia e Margot. 

Tomei um banho de mar com ropa e tudo para refrescar e logo em seguida parei para almoçar. Tinha feito arroz para dois dias no dia anterior. Comi com salame e sardinha e queijo ralado que ainda tinha. 

Pedalava como um nômade do deserto, todo coberto para proteção solar.  Pois não havia nenhuma sombra e só o protetor solar não adiantava. Não gostava de ficar por muitas horas com o sol na pele. O vento quando se pedala acaba batendo na roupa e refrescando. Não sentindo muito calor. 

Depois de umas 12 horas pedalando, cerca de 80 km e chegar no Farol Abandonado estava cansado. Não dava mais para seguir. Encontrei um casal do vilarejo próximo chamado Hermenogildo a 100 km de onde estava. Eles estavam pescando ali e foram de carro 4x4 pela areia até ali. 

Ao todo pedalei por 100 km.

Me indicaram atrás das dunas para acampar, mais pensei bem e não fiquei muito animado. Sugeriram me dar uma carona até ao camping em Hermenegildo. Achei a melhor opção. Fui com eles depois de colocar a bike  dobrada atrás na grande caçamba que havia. 

O carro corria muito na areia eu olhava para trás e a bike pulava em cada buraco. Já estava vendo ela pular pelos ares e cair na areia.  Certo momento a garrafinha que estava presa na bike caiu e dei sorte que vi na hora. Voltamos um pouco e pegamos. 

Parecia que estavamos em outro planeta. Cada vez mudava a cor da areia e foram assim por uns 80 km. Uma aventura inesquecível.

Parei no camping assustado e agradeci a eles, que me desejaram boa viagem.

Fiquei no Camping Pachuca do Sr. Volnei e sua familia.  Conheci um casal de jovens uruguaios  musicos que viajava de carona e a pé pelo segundo dia. Seu destino era Rio de Janeiro. 

Também havia outro casal de uruguaios que viajava de Van. Na van se encontrava a cama. 

24 de Janeiro

Lavei roupa e decidi tirar o dia de descanso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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